A critica da inteligência em Xavier Zubiri

Por Saldanha Alves Braga*

*Na época (2005) Graduando em Filosofia na Universidade Católica Dom Bosco – Campo Grande, MS. Hoje (2021) Professor efetivo do IFTO – Instituto Federal do Tocantins, Mestre em Educação pela UnB, Pós-graduado em Ensino da Filosofia e Graduando em Psicologia pela ULBRA – Universidade Luterana do Brasil – Campus Palmas.

É a metafísica como física transcendental que supõe uma concepção nova da inteligência”. (Xavier Zubiri 1898-1983).

Primeiro TCC sobre X. Zubiri no Brasil.(Considero importante trazer para a leitura de todos os que se interessam por Zubiri este TCC. O relato do autor nos diz tudo. Saldanha foi ousado seguindo a ousadia de Zubiri em recolher de várias obras dele essa crítica e sua posição de cada autor. Para não ser extenso demais colocamos apenas o sumário dos capítulos do TCC, no lugar da elaboração. É um motivo para procurar na internet na íntegra e poder usufruir de seu trabalho).

“Motivação e Itinerário do contato com a filosofia de Zubiri” relatado por Saldanha.

“O ano era de 2004, eu estava no seminário dos Frades Menores Capuchinhos em Campo Grande, MS, e, ressalto que a formação capuchinha até hoje norteia o meu caminhar com os ideais franciscanos de vida fraterna. Bom, neste mesmo tempo, estava no primeiro semestre do referido ano cursando a disciplina de hermenêutica filosófica na graduação de Filosofia na Universidade Católica Dom Bosco em Campo Grande, Mato Grosso do Sul com o então professor Dr. Frei Márcio Luís Costa, OFM (hoje já deixou a Ordem Franciscana).

Durante as aulas de Hermenêutica o professor Márcio usou vária vezes textos do filósofo espanhol Xavier Zubiri – enfocando principalmente a “realidade senciente” no conceito zubiriano “de suyo”, isso me chamou muito atenção. Registro que à época estava interessado em fazer meu trabalho de conclusão de Curso sobre “o logos em Heráclito”, porém como essas aulas do Frei Márcio haviam me conquistado resolvi procura-lo para saber se não gostaria de me orientar no TCC. Ele então sugestionou que mudasse de tema, e sugestionou que trabalhássemos algo em Xavier Zubiri. Na ocasião me indicou e emprestou-me o livro As cinco lições de filosofia (versão em espanhol). Gostei muito da leitura, confesso que apaixonei pelo estilo “Zubiri de ser e escrever” desde aquela obra. Dessa feita, dei um feedback positivo ao frei Márcio que estava decidido a trabalhar sobre Zubiri na elaboração do meu TCC. Pois bem, em continuidade o frei Márcio me entregou a Trilogia Senciente (também em espanhol, pois não havia sido traduzida ainda no Brasil). Vale ressaltar aqui que o frei Márcio teve contato com a Filosofia de Xavier Zubiri no México quando cursou o Doutorado em Filosofia naquele país (Universidad Nacional Autónoma de México).

Seguindo orientação do mestre, fiz a leitura da referida trilogia e assim como havia sido afetado positivamente pelas Cinco lições de fiosofia, ocorreu o mesmo com a trilogia, é claro que a compreensão não suficiente elaboração do TCC. Dessa leitura ficou muito forte no meu imaginário de iniciante à Filosofia Zubiriana a questão evidenciada de que a Filosofia clássica fundamentou-se na reflexão “concipiente” enquanto que Zubiri propunha uma nova reflexão: “os sentidos são inteligentes e a inteligência é senciente”.  Desta realidade reflexiva o frei Márcio sugestionou que fizéssemos o TCC com a temática: A crítica da Inteligência em Xavier Zubiri. 

Não satisfeito com a leitura, comecei a procurar na internet algo que referenciasse outras leituras em Zubiri, encontrei menções ao Seminário arquidiocesano Redemptoris Mater em Brasília, e nos sites das fundações Xavier Zubiri em Espanha e Estados Unidos. Mas nessa busca na grande rede sobre referências Zubirianas, foi o livro A ética da inteligência em X. Zubiri, UEL, Londrina (Brasil), 1988 do autor José Fernandez Tejada que alavancou minhas energias para a formulação do TCC e consequentemente minha caminhada com Zubiri. Ao procurar o livro pra comprar não encontrei – descobri que havia disponível para leitura – não me recordo se pra venda -, na biblioteca da Universidade Gama Filho no Rio de Janeiro. Lembrei-me que havia uma amiga minha no Rio de Janeiro, chamada Lúcia Fátima. Entrei em contato com ela e pedi que conseguisse o exemplar do  livro para mim junto à Gama Filho. Ela esteve na Gama Filho e me ligou de lá mesmo me dizendo que não só tinha conseguido o livro como também havia conseguido o telefone do autor (Tejada) que residia no Rio de Janeiro. Ela entrou em contado com ele (Tejada) e ele disse a ela que eu poderia entrar em contado com ele por telefone. Assim o fiz. Tirei muitas dúvidas por telefone e também resolvi ir ao Rio para encontra-lo, ele me recebeu muito bem no mês de Maio de 2005. Desse encontro resultou que ao chegar de volta em Campo Grande, MS, comentei sobre o grande Tejada ao então Coordenador do Curso de Filosofia da UCDB, Moacir Aquino. Ele entusiasmou-se e propôs entrarmos em contato com o Tejada para fazermos uma Semana de Filosofia na UCDB em Campo Grande sobre o Filosofía de Zubiri com o professor Jósé F Tejada. Assim em Outubro de 2005 fizemos a semana de Filosofia que por sinal foi esclarecedora e importante, porque nesta mesma semana defendi o TCC, sob a orientação do professor Dr frei Márcio Luís Costa, o Tejada e Dr. Josemar de Campos Maciel, co-participantes da banca. 

Minha caminha segue com Zubiri, no ano de 2010 a convite de Tejada estivemos na Editora È em São Paulo no lançamento da Trilogia Senciente. Momento impar em que Tejada foi palestrante no lançamento. Nossa vida como “animal de realidades” segue…”.

INTRODUÇÃO

                Diversos e renomados autores discutiram a questão da inteligência no âmbito filosófico – só para lembrar alguns: Aristóteles, Kant, Hegel e Husserl – construindo um vocabulário próprio, estes autores se aplicaram numa perspectiva de análise e referências indispensáveis para a compreensão, ou mesmo para quem quer agir de forma conveniente a este mesmo tema quando se fala em estudo. Ou ainda neste mesmo sentido dar-se a possibilidade de elaborar uma crítica a tal temática. Abrem-se, portanto pressupostos que permitem aceitá-los, negá-los ou gestá-los sob uma nova ótica. O que o torna uma problemática que se refuta ou que se acolhe. Hipotetizando-a e verificando-a.

                É, pois, no limiar desta discussão que o filósofo espanhol Xavier Zubiri vai aceitar e refutar muitos dos conhecimentos sobre a inteligência, se referindo, sobretudo, e dando vias argumentativas de oposição ao legado de grandes filósofos clássicos, modernos e contemporâneos. Estes, embora tomando as coisas mesmas como objeto de estudo, terminam por conceber uma inteligência dual, do inteligir e do sentir.

                Zubiri pretende, sobretudo, superar este dualismo que associa sentimento e inteligência com a introdução de elementos transcendentais. Ele propõe a análise do ato intelectivo enquanto real. Pretendendo o que ele chamará de Inteligencia Sentiente.

                É no contexto dessa discussão que também se situa este trabalho. Ele indaga por um caminho filosófico alternativo na abordagem da inteligência. A saber, tem como base a fenomenologia, mas que se preenche também com elementos ontológicos e metafísicos. Visando gerar conhecimento novo em relação às referências tradicionais que tratam do mesmo assunto ao longo da história da filosofia. Por isso o trabalho defende o título de Uma crítica da inteligência em Xavier Zubiri. E está limitado somente a isto.

                Para efeito desta construção crítica, a principal referência bibliográfica a ser utilizada neste trabalho será a obra de Xavier Zubiri comumente denominada de trilogia: Inteligencia Sentiente: inteligencia y realidad, Inteligencia y logos e Inteligencia y Razón. Mas se utilizará de muitas outras obras do autor e de estudiosos de sua filosofia, bem como textos e obras disponíveis na internet. Contudo num campo mais periférico. 

                A metodologia se fundamenta a partir da aplicação levantada nas obras de Metodologia do trabalho científico e Métodos e técnicas de pesquisa.

                No entanto fez-se necessário algumas observações de aplicações práticas. Como recursos metodológicos básicos, discorrem-se o seguinte: citação de referências todas em notas de rodapé.  Citações longas quando forem extraídas de Zubiri serão todas no original em espanhol com tradução nas notas de rodapé. Algumas palavras ficaram tanto no texto quanto nas notas de rodapé no original em espanhol numa tentativa de fidelidade ao que ela pode representar para a filosofia pesquisada. 

                Quanto aos filósofos descritos em cada capítulo como parte do estudo frente à Zubiri. Observe-se o seguinte: com exceção de Platão e Aristóteles, para os demais constam introdução simples com elementos da vida e obra de cada um.

                Ao transcorrer os capítulos percebe-se a progressiva mudança na abordagem zubiriana em cada argumentação. É aí onde aparecem os fragmentos já citados de fenomenologia, ontologia e metafísica. Nesta perspectiva se desenvolveram os capítulos.

                Considerando a amplitude filosófica de Zubiri procurou-se de forma propedêutica fazer um bio-histórico e filosófico de Xavier Zubiri – é o conteúdo do primeiro capítulo.

                O inteligir e o sentir como dicotômicos podem ser oriundos de uma entificação da realidade em Aristóteles e uma concepção do que é saber em Platão. Estes assuntos caracterizam uma crítica da inteligência na Filosofia Clássica – é em suma o que se discorre no segundo capítulo.

                Em Descartes o inteligir e o sentir são dois modos de consciência. Em Berkeley o intelecto é o princípio que governa tudo. Em Leibniz a atividade pensante é intelectiva. Em Kant o mundo sensível e inteligível estão ligados ao problema do conhecimento. E finalmente em Hegel a inteligência é concipiente sem fundamento na realidade. Este é o esqueleto filosófico que permite uma crítica da inteligência na Modernidade. Isto constitui a construção do terceiro capítulo. 

                Husserl se move num plano ‘consciencial’ e ‘faz uma análise dos atos intencionais com que o homem se refere às coisas’ para conceber uma inteligência. Heidegger concebe inteligência na elaboração de sua ‘onto-fenomelogia’ categorial com novos significados que permitem a construção da pergunta pelo sentido do ser. É o que possibilita falar de inteligência contemporaneamente na matriz fenomenológica: Husserl e Heidegger. É a elaboração do quarto capítulo. 

                Por fim, as considerações finais evidenciando as conquistas alcançadas com a pesquisa. A partir de elementos que se considerou como norteadores de resultados. Bem como as lacunas que ficaram descobertas com perspectivas futuras.

(CAPÍTULO I – FUNDAMENTOS BIO-HISTÓRICOS E FILOSÓFICOS DE XAVIER ZUBIRI. . . . . . . . . . . . . . . . . . 15

1.1.  NASCIMENTO E FORMAÇÃO.  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17

1.2.  MODO FILOSÓFICO.  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

1.3.  CARACTERIZAÇÃO DO PENSAMENTO ZUBIRIANO. .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

1.4.  DESENVOLVIMENTO DA OBRA DE ZUBIRI. .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .25

1.5.  OBRAS PÓSTUMAS. .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

1.6.  CONSIDERAÇÕES. .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .27

CAPÍTULO II – CRÍTICA DA INTELIGÊNCIA NA FILOSOFIA CLÁSSICA: PLATÃO E ARISTÓTELES.  .  . . . . . . . 28

2.1. PLATÃO. .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30

2.2. ZUBIRI FRENTE A PLATÃO. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .31

2.3. ARISTÓTELES. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

2.4. ZUBIRI FRENTE A ARISTÓTELES. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .34

2.5. O FIO DO MEDIEVAL PARA O MODERNO. .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .35

2.6. CONSIDERAÇÕES. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

CAPÍTULO III – CRÍTICA DA INTELIGÊNCIA NA MODERNIDADE: R. DESCARTES, G. BERKELEY, G.W. LEIBNIZ, I. KANT E G. W. F. HEGEL. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . .38

3.1. APROXIMAÇÃO DO QUE SE PODE INTERPRETAR COMO MODERNIDADE. . . . . . . . . . . . . . .39

3.2. COMO ZUBIRI INICIA SEU DIÁLOGO SOBRE MODERNIDADE. . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . .40

3.3. R. DESCARTES. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . 42

3.4. ZUBIRI FRENTE A DESCARTES. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

3.5. GEORGE BERKELEY. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . 45

3.6. ZUBIRI FRENTE A BERKELEY.. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .46

3.7. G. W. LEIBNIZ. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . 47

3.8. ZUBIRI FRENTE A LEIBNIZ. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . .48

3.9. IMMANUEL KANT. . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

3.10. ZUBIRI FRENTE A KANT. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . .50

3.11. G. W. F. HEGEL. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .54

3.12. ZUBIRI FRENTE A HEGEL. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

3.13. CONSIDERAÇÕES. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  59

CAPÍTULO IV – FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: A INTELIGÊNCIA NA MATRIZ FENOMENOLÓGICA, HUSSERL E HEIDEGGER. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  .  . . . . . . . . . . . . . . . . .61

4.1. A APROXIMAÇÃO DA IDÉIA DE FILOSOFIA CONTEMPORÂNÊA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .62

4.2. ENTENDIMENTO BÁSICO SOBRE FENOMENOLOGIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .63

4.3. EDMUND HUSSERL. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .65

4.4. ZUBIRI FRENTE A HUSSERL.. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .66

4.5. MARTIN HEIDEGGER. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .69

4.6. ZUBIRI FRENTE A HEIDEGGER. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72

4.7. CONSIDERAÇÕES. . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .76

CONSIDERAÇÕES FINAIS. .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . .78

REFERÊNCIAS . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . .81

ANEXOS . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . 85)

CONCLUSÃO

                A discussão contemporânea sobre a possibilidade de uma Inteligencia Sentiente que permitisse uma verificação argumentativa conjetural e que identificasse junto a grandes filósofos clássicos, modernos e contemporâneos as justificativas filosóficas para uma crítica da inteligência discutida a partir de Xavier Zubiri, foi o contexto em que se desenvolveu este trabalho.

                A sua elaboração, no entanto, permitiu agregar elementos fenomenológicos, ontológicos e metafísicos consumindo em parte o que Zubiri construiu sobre o tema da inteligência com estes mesmo elementos.

                Dada a operacionalização desta pesquisa, consideram-se vários elementos como norteadores de resultados.

                O primeiro se expressa na subjetividade. Uma vez que ofereceu ao autor do trabalho o conhecimento sobre Zubiri e sua filosofia.

                O segundo elemento transita no campo de que a localização do filósofo – Zubiri – num contexto amplo e a vinculação de seu pensamento com outros autores e correntes filosóficas foram importantes. Constituíram aspectos especiais que enriqueceram a discussão e sem dúvida lhe conferiram um caráter de atualidade. Por exemplo, autores das áreas éticas ao entrarem em contato com a Filosofia de Zubiri, ganham um conceito forte de realidade.

                O terceiro elemento, é que Zubiri usa das alternativas possíveis na argumentação filosófica para construir sua crítica à inteligência. O que na verdade confere-lhe o caráter de abertura e não de univocidade absolutizando a solução proposta para a problemática em estudo.

                Um quarto elemento seria uma ampliação da pesquisa com uma possibilidade de estudo no futuro. Frente às lacunas que ficaram abertas nesta pesquisa. Por exemplo: poderia se fazer uma síntese dos principais pontos da filosofia de Zubiri desvinculando somente da crítica a inteligência. 

                E finalmente, pode-se considerar desde a pesquisa realizada, que a estrutura da intelecção elaborada e desenvolvida por Zubiri que lhe permitiu um diálogo amplo com a Filosofia Clássica, Moderna e Contemporânea se fundamenta, sobretudo na atualidade do real na inteligencia Sentiente que se modaliza em caráter de formalidade triplece como apreensão primordial de realidade, como logos e como razão.

                Deste modo, Zubiri dialogou com cada filosofia em particular e concluiu que mesmo o arqué clássico Platão e Aristóteles sob o peso do apoio da filosofia de Parmênides, submergiram a intelecção no logos. Conseqüentemente logificou-se a mente. O saber que pressupunha o contato com as coisas mesmas, tornou-se um modo de saber do logos do homem. Caracterizou-se o logos predicativo aristotélico consagrado na lógica dos princípios demonstrativos. O que ocorrera foi nada mais do que um distanciamento das coisas. Sem ficar de fora nem o próprio Husserl que se anima a uma ‘volta às coisas’ no início de sua fenomenologia. Assim fora implantada a metafísica da inteligência que teve sua estirpe nos grandes clássicos. Surgiu a terrível oposição entre o sentir e o logos. Isto na história da filosofia, parte dos clássicos – Filosofia Platônica e Aristotélica. Passa na Modernidade como, por exemplo, em Descartes, e Hegel. E chega a contemporaneidade com Husserl e Heidegger. Considerando em cada etapa, uma abordagem diferente de cada filósofo. Eis a crítica de Zubiri.

                E por dedução desta crítica, pode-se completar que Xavier Zubiri fizera uma filosofia que não se moveu somente no campo da distinção, mas que ofereceu notas ‘radicalmente novas’ e que estas lhe conferem o caráter radical de uma crítica a toda filosofia anterior, o levando a abordar os problemas em outros planos para terminar numa visão nova da realidade. Mas isto não permite dizer que esta mesma visão, não venha a possuir coincidência com outros pensadores.

                Em suma, a inteligência para Zubiri considerando a formalidade das coisas mesmas, é o ato apreensor ‘sentiente’ do real.




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http://www.heidegger.hpg.ig.com.br/gesam.htm acesso em 29/09/2005 às 12hs59mn

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