Encantos e surpresas da filosofia de X. Zubiri: “Rios voadores do pensamento de Zubiri no Brasil”

*Por José Fernández Tejada

Os que nos deparamos com o pensamento de Zubiri, sempre questionamos o porquê de não terem sido publicadas antes, aqui no Brasil, para as pessoas interessadas e elaborações acadêmicas, essas obras marcantes de seu pensamento. Há uma imensa publicidade de outros filósofos e de seus sucedâneos. Simplesmente Zubiri e sua proposta são uns desconhecidos. Proposital ou pura “ignorância e desinformação”? Diante desse dilema nos perguntamos: por que, então, será que preferimos os pensamentos de “sucesso imediato” (pensamento débil e não reflexivo) que provocam euforia, mas que se consumem logo sem compromisso verdadeiro, e repetem as mesmas insuficiências e erros idealistas e realistas? Será que no exercício intelectual não percebemos isso? Que outros motivos, podemos ter? Quem não teve essa sensibilidade intelectual e acadêmica? Por que a vida comum do povo sempre se guiou e se mede “pelo real”?

Por que os intelectuais, pensamos mais nos conceitos? Por que não estavam presentes essas obras de Zubiri, pelo menos na língua original (é isso que constatei pelo menos até o início da década de 1990), em algumas bibliotecas das universidades brasileiras privadas e públicas no Rio de Janeiro? O que houve para serem traduzidas ao português, antes obras de M. Unamuno, J. Ortega y Gasset, Julián Marías, que nitidamente Zubiri se inspirou, e inspirou, seguiu e superou como o estuda uma bibliografia farta, e não se publicou nada de Zubiri? É questão apenas cronologia do tempo passar? Ou é morosidade, preconceitos ou preguiça mental?

É pena ver vários filósofos, geógrafos, antropólogos, sociólogos, cientistas em geral, brasileiros não ter lido Zubiri fora dos padrões convencionais da época, que atendiam as urgências e descuidaram de: uma nova fundamentação, como Husserl, pretendia. E que Zubiri deu uma guinada completa buscando a realidade antes do ser. Celebrava-se a morte da metafísica, porém não perceberam que ela já estava sem futuro há muito tempo, porque os pensadores “com muita ousadia de cada época” escolheram a via concipiente. E, como mostra Zubiri uma via morta. Este questionamento sempre nos acompanhará no trabalho que fazemos.

Por que se deu um estudo marcante no Brasil, e “consumismos” durante a metade do século XX, o marxismo, o positivismo, a filosofia fenomenológica, existencialismo, do ser, e outras, sem quase mostrar as limitações e novos caminhos oferecidos? Brasil vinha marcado pelo esforço naturalista da pós-monarquia e afundado no positivismo o pensamento brasileiro vestiu-se do “esteticismo do poder”, da grande pirotecnia verbal do pós-modernismo, da pirotecnia algorítmica e finalmente das redes digitais. Todas, repetindo Marquínez, formam parte de que: “A aludida frivolidade, é a confirmação de que a vida atual está ao alcance do menos reflexivo”. E como não refletimos os homens vão para a morte. Ficamos presos num redemoinho de urgências históricas e intelectuais perdendo o horizonte em que queremos viver e pensar o futuro. Temos claro, onde se apoiam “as filosofias segundas”? Mas como fazer aplicações senão encontramos o poio suficiente para as filosofias segundas? Porque temos medo da filosofia primeira. Por isso, ficávamos nas aplicações fáceis e que dão fama em todas as suas formas. Zubiri foi um profundo conhecedor desses impasses e seus labirintos, desses autores e seus passos, e até foi até companheiro (e não aluno, porque foi estudar com eles depois de formado e ter feito doutorado) de vários filósofos e cientistas de renome, e grandes estudiosos das ciências exatas e humanas. Mas, teve a inspiração de superar todas essas formas que tinham surgido como reação à filosofia clássica e moderna: a realidade é antes do ser.

Zubiri tinha claro, nas suas pesquisas, que essas novas propostas eram idealistas, essencialistas e dualistas, e, por isso, insuficientes para a marcha do filosofar e portanto para o bem da humanidade. Inspirou-se na escolástica, Ortega, Husserl, Heidegger e Aristóteles. Compartilhou essas inquietações com N. Hartmann, Einstein, Heisenberg e Schroedinger, Köhler, Goldstein e Mangold. Fez saber ao seu mestre Heidegger, essa crítica, a inspiração e empreitada do real, quando se despediu pessoalmente dele em 1931. Esta estranheza de sua obra carregou Zubiri por bastante tempo. Tinha certeza que Heidegger não publicaria a segunda parte do Ser e o Tempo. Nós sentimos tudo isso no início de nosso caminhar.

O que aconteceu no pensamento brasileiro que não sintonizou com esse desafio zubiriano? Porque a filosofia proposta por Zubiri, também, não foi bem recebida na Espanha e na filosofia europeia, muito menos na Inglaterra? Parece que temos dificuldade de assimilar e digerir os pensamentos elaborados para uma época, que são passos importantes, entretanto ficamos como que ruminando sem perceber que o pensamento humano e filosófico é dinâmico e busca o mais radical. Somos carregados sem parar pela dinamicidade do real, e não, porque nos damos o luxo de assistir da sala vip o mundo pegar fogo? Porque, então, não poder estudar na nossa língua uma proposta, tão simples e radical como a de Zubiri, com a qual todos, sintonizamos?  Outra coisa será que a entendamos e a façamos nossa.

Quais, então, foram os motivos e intenções? Desinteresse em buscar sempre fundamentos mais radicais? Acomodação e puras repetições teóricas? Imersos em urgências, provisionalidades e futilidades?  Por que, durante tantos anos, a academia brasileira ficou cultivando experiências filosóficas, que se tornaram ideológicas ou que foram superadas? Porque esse passo de elefante no pensar da academia? Porque esse emperramento? O que é filosofar? Para que ela serve? Só para conquistar uma cadeira de docente, status e sustento digno? Estas perguntas valem também para questionar em todas as culturas e nas ciências. A filosofia é para repetir (“animal”) e ficar sendo coisas apenas fechadas ou para repensar (“pessoa”) e conduzir a vida humana? Os clones humanos ou robôs não poderão existir, se o homem não for pessoa criativa, que busca se realizar. De donde eles se vão inspirar, imitar e recargar? Somos radicalmente animais-inteligentes, inteligência-senciente. Daí parte o dinamismo do surgir humano num leque de possibilidades apropriadas e por apropriar.

Então, o espanto relatado de alguns brasileiros aqui apresentados, que nos deparamos com metafísica do real e da inteligência senciente, tem teor de lamento e alegria, porque há pouco tempo, tivemos acesso por vários caminhos da simplicidade e originalidade da rigorosa obra de X. Zubiri em nossa língua. É como o re-estreno da abertura do horizonte da realidade em que vivemos. Durante anos, fomos privados de uma alimentação séria e rigorosa. Assim, poderíamos resumir esse espanto zubiriano, experimentado por muitos, com as palavras de frei João, desde o Maranhão em 2003: “Por natureza sempre quis ser realista, não sobrevoar a realidade com nenhuma ideia ou doutrina. Encontrar Zubiri impulsionou-me mais ainda nesta direção. Tenho colhido muitos frutos neste seguimento, mesmo na execução de meu ministério sacerdotal” (e-mail. 20/3/2003). 

Esse relato resume a experiência de todos que se deparam sem preconceitos com Zubiri. Mas, agora com a tradução de parte de suas obras ao português brasileiro por brasileiros, conseguiremos ler, estudar e citar essas obras com rigor em nossa língua. Temos apoios condizentes e suficientes. Recuperamos o dinamismo do pensar e do filosofar buscando a ultimidade das coisas do Brasil, incluindo as coisas de cada um.

Assim, dentro desse ambiente meio eufórico e tenso, nunca de orgulho de erudição, gostaríamos de fazer um inventário do pensamento de Zubiri no Brasil. Pretendemos verificar as linhas de força, as veias e veredas percorridas ou leitos de “rios voadores” que se foram formando, abrindo e construindo, ao deparar-nos com a preocupação contagiante e trabalhosa da introdução da proposta filosófica inédita de X. Zubiri no Brasil. Também mostraremos algumas pedras. Achamos que temos a obrigação e direito de tentar esse caminho senciente no Brasil pela novidade radical que nos oferece frente às outras opções intelectuais e intelectualistas, já trilhadas e insuficientes, tanto nas teorias e aplicações, como para continuar enfrentando nossa identidade e problemas próprios. Queremos apresentar a importância de estudar e rever o pensamento zubiriano na “óptica brasileira”, que clama pelo real. Queremos filosofar “com liberdade” sem os preconceitos de fundamentos de ideias e especulações ou instituições, que recorrem sempre à essencialíssimos e substancialismos camaleônicos, também no Brasil, feitos modas e tendências, mesmo nos meios acadêmicos.

A novidade descoberta pela ciência dos rios voadores, (“a experiência sentida e feita conceitos” pela ciência), como processo vital-ecológico no Brasil, que acontece de muitas formas no mundo inteiro, que tomamos como metáfora guiadora, merece uma explicação singela. Essa expressão é muito importante, não por ser uma teorização, mas ser teorização de uma realidade atmosférica e ecológica. A inspiração da metáfora surgiu ao estudar com meu neto Pedro Lucas, de 8 anos, a matéria de Geografia do quarto ano do Ensino Fundamental. Me encantei e vi a força dessa realidade geográfica brasileira, como deve acontecer noutras regiões da terra, para nosso trabalho. Senti sua força. Meus outros netos mais velhos não estudaram dessa forma e eu nunca tinha ouvido falar. Em definitivo a vida, a nossa vida, pode ter surgido fruto de bactérias, que foram capazes de “roubar” oxigênio e água, e depois, principalmente, por hiperformalização. E, no caso de experimentado pela ciência, por evapotranspiração e grandeza do mar quente e da floresta para potencializar tal vitalidade para o planeta.

 “Os Rios Voadores são uma espécie de curso d’água invisível que circula pela atmosfera. Trata-se da umidade gerada pela Amazônia e que se dispersa por todo o continente sul-americano”. Esses rios voadores serão chuva em quase todo o Brasil e ainda em Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina. “A origem dos rios voadores acontece da seguinte forma: as árvores da Floresta Amazônica “bombeiam” as águas das chuvas de volta para a atmosfera, através de um fenômeno denominado evapotranspiração, ou seja, a água das chuvas que fica retida nas copas das árvores evapora e permanece na atmosfera em forma de umidade. É exatamente essa umidade que forma os rios voadores”. Mas, onde nascem e se abastecem esses rios? Da evaporação das águas quentes do oceano atlântico central, que é atraída pela umidade mais fria da floresta Amazônica. “Nós somos rios voadores” da proposta senciente que se abastecem da realidade e são benfeitores dos outros pela força do real. Nós somos rios voadores porque recebemos o poder do real, o sentimos e o transmitimos. Nós pensamos e queremos um Brasil melhor.

Não podemos deixar de reconhecer que somos essa forma de evapotranspiração da realidade para sermos uma realidade aberta, como pessoas e que devemos seguir processo e ciclo de espalhar essa força, feito chuva real para beneficiar e animar as pessoas, e os demais seres vivos, a seguir novos caminhos. Somos realidades para a plena realização. E isto não de vez e bruscamente como tormentas, mas constante e denodadamente, às vezes brutas. É dever de casa. O que somos, o que apreendemos e o que nos tornamos por apropriação como seres humanos, é que sentimos inteligentemente o real, nap. dos conceitos criados. Os rios voadores sempre existiram, como o poder do real, e éramos beneficiados, mas não tínhamos a experiência feita conhecimento de que é assim que temos mais vida. A realidade, como sistema e processo, sempre foi realidade, embora, nos enredamos em conceitos. O ecossistema da Amazônia, como de quase toda América Latina, é um sistema que tem um processo riquíssimo de “umedecer a vida” (umidade relativa do ar e chuvas…) e irrigar nossas terras e, segundo, seu alcance cria os diversos microssistemas brasileiros. Neles os homens se adaptaram (sertões, cerrados, pantanais, florestas…) buscando sua sobrevivência em todos os sentidos mais diversos e ricos. Por isso concluímos: estamos submersos na realidade e nela e dela devemos nos realizar. Outro país também tem seus processos de chuvas. Que especulação nos pode contradizer? Do contrário, pagaremos com as angústias e sofrimentos. O fenômeno dos rios voadores não é exclusivo do Brasil, mas forma parte da ecologia e sobrevivência do planeta Terra. Assim o poder do real desenterrado por Zubiri.

Essa evapotranspiração do real através de Zubiri veio para nós principalmente de Colômbia, de Espanha, da Universidade Gregoriana de Itália, do México através de Márcio Luís Costa que orientou Saldanha, de Campo Grande Mato Grosso do Sul. Com certeza houve outras fontes que não identificamos ainda.

Queremos, antes de avançar no nosso trabalho, desfazer um questionamento. O verdadeiro fazer filosófico não é, e nem pode ser, nem conservador e nem progressista, nem da direita e nem da esquerda, e nem religioso ou civil, é outra coisa, nos sentidos catalogados, porque a filosofia só busca o real de todas as coisas com a força real da inteligência para que a vida humana seja real para todos. É na busca do real que todas se fundamentam. O projeto da humanidade é único e de todos: realizarmos como pessoas no mundo e no universo. Podemos resumir o dinamismo do saber filosófico hoje, que tomou força no lema da pós-modernidade: a união e imbricação entre o pensamento e a realidade, também para o Brasil.

Por isso, ao realizar nosso trabalho, revelaremos brasileiros trabalhando e “estremecidos” pela descoberta de pensar senciente, não por interesses eruditos ou egoísmos acadêmicos. Foi todo muito espontâneo e consentido. Mas não tivemos facilidades neste mergulho inusitado. Alguns, também, se debruçaram com trabalhos e teses acadêmicas. Mas todos, tentamos andar “com os pés no chão” fugindo dos anacronismos e paradoxos de muitos esforços especulativos da vida, da religião e da academia, em que fomos educados; nós deparamos que temos que “cair no real”, porque “somos de carne e osso” e “normais”. Temos que “dar sentido” ao nosso país e humanidade, “sentido” ele a partir do “real que somos”. Pois, todos no mundo inteiro, nos sentimos assim como gente, porque, com a proposta de X. Zubiri, vislumbramos e percebemos que há fundamentos mais radicais e caminhos vivos dos que os concipientes, que nos teimam em oferecer para engolir, apesar de nos levarem longe demais fora do horizonte intramundano. Poderemos testar e usar a “medida do real”, que é de todos e para todos, em toda simples força e radicalidade para que o pensar humano encontre suas melhores possibilidades, e não a “medida ou cânon dos conceitos” que é sempre feita na mesa de estudo, e hoje no computador, de quem só concebe.

Sentimos, logo, na leitura de Zubiri um caminho vivo para tirar o comando absolutista e tirano da humanidade dos racionalismos independentes do pensar real, sempre objetivistas ou subjetivistas, dualistas. Assim, nos descobrimos de verdade que somos “animais de realidades”, e não “entes metafísicos” ou “zumbis”, ou como fala Cherubin, não reduzidos a “entificações e zumbificações” de quaisquer interesse ou ideologias das ciências e da filosofia, não digamos da política contaminada, que, com raras exceções, no mundo inteiro não é a arte de cuidar do povo. Não podemos ser objetualizados e nem subjetualizados. O mesmo, podemos dizer da cultura, religião e das artes, que devem aproximar-se do real com seus esforços mais diversos.

Sintonizamos com o pensamento de Zubiri porque somos reais, pessoas comuns, raros, mas normais, que vivemos no meio das coisas e delas temos necessidade de viver, no meio num mundo quase virando catástrofe. Somos “animais de realidades”, ou como Cherubin se expressava nisso “somos todos zubirianos”. Poderemos aspirar e dar conta de nós, não num mundo dos conceitos manipuladores e nem da lua ou de marte, nem do mundo dos ETS, com todo respeito onde possam habitar, mas no horizonte mundano do real em que já “todos-humanidade” nós sentimos surgidos, situados, enraizados e nascidos.

O homem se abre num mundo real para a humanidade viver, dentro do lugar que ocupe dentro do maravilhoso universo. Mas, será que nossa sina é sermos autodestruídos aos poucos como humanidade pelo próprio homem, como apresentado muitas vezes pelos filmes de ficção? Por acaso os plânctons e as flores se destroem a si próprios? Porque parece que o homem está sendo destruído, não pelo homo nascido já lúpus, mas feito lúpus, de propósito, porque escolhe o caminho de só os conceitos, e por tanto de uma inteligência distorcida e egoísta (“a medida do homem” e paga, como o ensinaram os sofistas) pelos sábios e poderosos de vez, quer dizer, pelos sofistas de todas as classes e cores, que vendem muita sabedoria como produto agregado e salvador, para sua gloria e bem-estar, ao negociar soluções mirabolantes para melhorar o mundo.

Resumindo nossas interpretações do real, do homem e da sociedade segundo Zubiri, não podemos deixar de procurar cada vez mais sua proposta como muito viável e por muito tempo. É a maior tentativa de elaborar um caminho vivo do real para todos. Cada vez fica mais claro que o caminho concipiente é responsável de muitos labirintos da humanidade. É o questionamento de muitos. Sim, e de sua bancarrota. Lutamos muito, escrevemos muito e descobrimos muito, mas sempre em vão. Melhor, em vão não, mas para pior. Nosso dualismo em tudo, nossa logificação e entificação continuam dominando nossos esforços sociais, históricos, religiosos e políticos. Buscamos a resposta para nossas grandes perguntas, mas nos perdemos no caminho dos conceitos como se fossem realidades. Discernimos bem o campo do real, mas nos perdemos e ficamos nos desafios da irrealidade. Incompletos. Aqui nem o logos e nem a razão são inteligentes. São sensórios e assim só instrumentos. Perdemos a medida do real, perdemos a inteligência senciente. Raramente voltamos à realidade, onde nós vivemos e o povo normal vive. Nessa irrealidade construímos nossos desejos, planeamentos, projetos. Assim tudo dá errado. Não respondem a realidade e por isso reclamamos e sofremos, somos como que destruídos. E triste esperar o melhor no caminho dos conceitos, nos caminhos que nos levam ao mal viver. À destruição, à bancarrota contemporânea. Parece perdemos o fôlego humano.

Por isso, este trabalho, apesar de fragmentário e incompleto, será um exercício de todos, prazeroso, e motivador, nunca desolador apesar de todos os contratempos e dificuldades tidos, de ver como essa proposta inédita de Zubiri enfrenta a tradição concipiente da filosofia clássica e moderna feita labirintos traidores a toda hora, também no Brasil. Estamos como brasileiros nos enfrentando com o problema da inteligência, como problema primordial. É mais, acreditamos como falava Zubiri, que a história da filosofia, portanto, a história do pensar, indígena e posterior, das primeiras veredas e rios voadores brasileiros adentrando-se no pensamento do real, já é filosofar. Queremos que esta esperança não murche. Muitos já o tentaram noutros tempos e por outros caminhos. Queremos fazê-la florescer. A proposta inédita de Zubiri desperta, assim, no meio do clamor do povo, um interesse singular a muitos, que não abrem mão de buscar a filosofia das coisas, do real, ou melhor, de sua identidade e possibilidades, sentir que o real nos busque e possamos deixá-lo entrar para direcionar nossas inquietações brasileiras, somos assim rios voadores do poder do real.

Nós queremos possibilitar que, a força dessa proposta senciente de sentir o real, entre em todos e fecunde suas vidas de realização verdadeira. Dessa forma, mostraremos de fato o exercício de pensar sobre as coisas que nos dão que pensar, como os gregos, e por tanto, uma via nova da experiência filosófica no pensamento brasileiro. Nós descobriremos que estamos fazendo filosofia, pelo menos tentando.

Os que, ocasional ou academicamente, nos deparamos com as obras de X. Zubiri, nós espantamos no dia a dia e filosoficamente com seu pensamento, e reaprendemos a não ter medo do amor pela verdade da realidade e pela realidade verdadeira. Assim podemos resumir o entusiasmo humilde de nossa mudança e clamar com sinceridade o que Zubiri falava da influência de Ortega: “fomos, mais que discípulos, fomos feitura sua, no sentido de que ele nos fez pensar, ou pelo menos nos fez pensar em coisas e na forma em que até então não o tínhamos feito.” (Sobre el problema de la filosofia y otros escritos -1932-1944-, p. 269). Ou como descrevia Diego Gracia quando de seu primeiro encontro pessoal com Zubiri em 1970 (Prólogo, Volundad de Verdad): “comecei a perceber surpreendentemente a riqueza intelectual e humana e a originalidade de um criador, de um filósofo criador, de um filósofo. Fiquei cativado”.

Todos que se aproximam de Zubiri com “olhos limpos e coração aberto” ficam cativados e dispostos a se envolver com esse novo caminho humilde e problematicamente. Por quê? É o teor de nosso trabalho, somos seres reais e disso temos que viver, não podemos aceitar que nos tratem de outra forma. Assim elaboramos nosso trabalho Rios voadores do pensamento de X. Zubiri no Brasil, que não pode ser apenas histórico, para preencher alguma lacuna no tempo. Queremos mergulhar no pensamento brasileiro para participar do conflito dos caminhos para viver realmente no Brasil.

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